1.17.2017

Culturaliza, Monalisa! - Ano 1 | Literatura estrangeira




Eu queria fazer isso antes de 2016 acabar mas não dei conta. Mas entendam esse Ano 1 como 2016, certo?

Monalisa é uma das minhas melhores amigas há anos e há anos eu a vejo tendo crises existenciais na época do aniversário dela. Esse ano ela botou na cabeça que ela não lê muito e que isso precisa mudar. Não discordei: todo mundo precisa ler mais, até eu. Principalmente eu.

Mas acontece que ela também colocou na cabeça que eu sou uma das pessoas mais cultas que ela conhece e mandou eu fazer uma lista com os livros que ela precisa ler antes de morrer. Daqueles livros bons, que fazem a gente pensar que o mundo é mais que isso, precisa ser. Achei meio complicado, até porque sou eu e eu não sou culta coisa nenhuma.



Só que há tempos eu estava com vontade de fazer uma lista parecida, juntando os melhores livros que eu já li e aceitei o desafio. Acontece que eu entrei em desespero ao ver a quantidade de livros que eu queria ler antes de morrer e fiquei mesmo pensando que eu também precisava fazer uma lista dessa pra mim mesma. Então disse pra mim mesma: porque não, a cada ano, fazer uma lista de livros pra ler antes de morrer, mas só colocando os que eu já li? Estou aprendendo a não cobrar tanto de mim e no lugar da cobrança, colocar elogios pelo que foi feito e isso vai ser um belo de um começo. E esse post é a primeira lista. Preparados?


Livros Estrangeiros




O homem que ri - Victor Hugo
Clássico de Victor Hugo nem tão citado assim, O homem que ri traz personagens nada convencionais, uma história com reviravoltas cheias de clichês, uma narrativa que te faz suar querendo saber o que raios vai acontecer e críticas. Críticas à forma de governo, às pessoas que compõem o governo, aos costumes da época. Um livro cheio de amor ao ser humano e muita dor vinda da humanidade; um livro prontinho pra te marcar.

É isto um homem? - Primo Levi
Primo Levi foi um judeu italiano que de repente se viu preso em Auschwitz, vivenciando e assistindo, num camarote cruel, tudo de pior que a raça humana é capaz. Anos mais tarde, publica este livro que narra alguns horrores do campo e se questiona o tempo todo se um homem capaz de tão cruel atrocidade é ainda um homem.

A cabana do pai Tomás - Harriet Beecher Stowe
Considerado um dos estopins da guerra que deu fim à escravidão de negros nos Estados Unidos, este livro vai narrar algumas situações que o velho Tomás e a jovem Elisa passam, sendo vendidos e fugindo de donos cruéis. Harriet descreve com grande familiaridade algumas situações degradantes pelas quais muitos negros se viram vivendo e pergunta nas entrelinhas o porque de tanta barbaridade com um ser humano igual a todos os outros.

O crime do padre Amaro - Eça de Queirós
Eu não esperava desenvolver tantos sentimentos por esse livro enquanto eu o lia, mas a verdade é que eu não esperava nada dele e ele trouxe tudo: um pouquinho de amor, hipocrisia (muita hipocrisia), desejo, dor e um clero que não é tão diferente do de hoje em dia! Daqueles livros que te ensinam a olhar mais vezes para a mesma coisa e a tirar conclusões diferentes a cada olhada.

O grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald
Jay Gatsby dá uma super festa em sua mansão todos os fins de semana e a explicação do porque dessas festas é um pouco admirável e assustadora ao mesmo tempo. Um livro cheio de achismos e desconfianças por parte dos personagens, além de descrever uma cultura bem diferente da nossa e que mostra o que um ser humano pode fazer para ter o que quer. Maravilhoso e necessário, já quero ler de novo.

Lolita - Vladimir Nabokov
Imagino que Lolita seja um livro conhecido. Quem não conhece a história (que é bem difundida por aí), (re)conhece que ele é um livro polêmico, mesmo sem saber porque. Lolita tem esse padrasto que é, nada mais nada menos, que um pedófilo. E o livro incomoda porque é narrado em primeira pessoa, por esse padrasto, e ele não se importa em contar detalhes do que ele fazia para ter uma ereção, nem se importa em contar o que ele fazia quando efetivamente tinha uma ereção. E vai contando como ele conseguiu "ter" a Lolita só para ele. Sério, é assustador. Mas eu coloquei ele aqui porque a gente tem que pensar nessa sociedade pedófila que a gente vive e pensar em como essa sociedade criou esse padrasto e criou a Lolita, uma garota de 12 anos que já era extremamente sensual, porque aprendeu a ser.



O beijo da mulher aranha - Manuel Puig
Uma cela e dois homens presos por motivos extremamente diferentes. Dois homens sem mais nada a fazer do que conversar para passar o tempo. O que é contado e o que se aprende nessa situação é forte e lindo demais pra você não ler. A história em si contém algo que nos prende em sua órbita, mas o modo como foi narrada faz do Manuel Puig um herói: diferente de tudo o que você já viu! Duvido você cansar de ler.

Ensaio sobre a cegueira - José Saramago
Provavelmente o livro mais famoso do Saramago, principalmente depois do filme lançado em 2008, esse é um livro que eu tenho a impressão que as pessoas leem quando querem ficar ou parecer cultas. O plot é super conhecido e traz em sua simplicidade muito em que pensar: um homem está no trânsito e fica cego de repente, cego de uma cegueira branca, leitosa. Aos poucos, todos que entram em contato com ele também ficam cegos, exceto sua esposa.

1984 - George Orwell
Extremamente político, esse é o livro que trouxe para nossa atualidade a ideia de Big Brother: o Grande Irmão está observando você. Diferente do famoso reality show, Winston vive nessa sociedade futurística em que tudo o que ele faz (tudo mesmo!) é observada pela polícia secreta e polícia do pensamento (sim, do pensamento) para impedir que qualquer tipo de ação seja feita para derrubar o governo. Completamente absurdo e atual, em um mundo onde as notícias de hoje de manhã podem mudar a qualquer momento e até as crianças podem dedurar seus próprios pais, 1984 traz mais discussões do que uma única leitura dá conta de fazer. Daqueles livros extremamente necessários em todos os países, classes sociais e épocas.

Doutor Arrowsmith - Sincler Lewis
Martin Arrowsmith quer ser médico e vai atrás disso. Conforme vai estudando e entrando em contato com diversos profissionais, percebe que na verdade quer fazer o bem às pessoas e retira forças até de onde não tem para não se deixar entregar à grandes corporaçõe e ao dinheiro. Esse é um daqueles livros que não tem exatamente uma jornada do herói, mas digamos uma consolidação dele. E o final, a última página mesmo, é perfeito! Vale a pena.

Luz em agosto - William Faulkner
Daqueles livros que merecem (e precisam de) atenção e tempo para poder assimilar todo absurdo preconceituoso que uma pessoa pode sofrer. E claro, com a narrativa maravilhosa de Faulkner, tudo fica bem mais à flor da pele, apesar de floreado.

Mrs. Dalloway - Virginia Woolf
Clarissa Dalloway precisava comprar flores e foi o que fez. Ao sair de casa, mudou a vida de um monte de gente e, mesmo que ela não tenha percebido, essas mesmas pessoas influenciaram sua vida. Já parou pra pensar nas pessoas que você encontra por aí e no papel delas na sua vida? Virginia Woolf traz um pouco desse pensamento nesse livro, com personagens únicos e as vezes inconsequentes. E sim, esse livro também tem uma narrativa digna de nota.


Orgulho e preconceito - Jane Austen
Acho que mais clássico que isso, impossível e nem preciso dizer muito sobre ele. Basta que que você leia prestando atenção no lugar que a Jane Austen dá para as mulheres. Maravilhoso.

Persépolis - Marjane Satrapi
Confesso que esse não devia estar aqui. Ele é um spoiler de outra lista que eu vou fazer. Mas já que está aqui: se quer entender o Oriente Médio, leia essa graphic novel tocante sobre a Marjane, uma moça que teve que aprender onde era seu lugar no mundo a partir da renúncia desse mesmo lugar.

O visconde partido ao meio - Italo Calvino
Cheio de simbologias que surgiram sem querer, conta a história desse visconde que sofre de um acidente um tanto incomum: foi partido ao meio durante a guerra e voltou completamente mau. A forma como o mundo se equilibra é a forma do simbolismo incrível do Calvino nesse livrinho gigante (brega o que eu falei, eu sei).

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Você que está aí lendo essa lista e que não é a Monalisa, quais livros você diria que a gente não pode morrer sem ler?
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Criado por: Elane Medeiros - Isaú Vargas.
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