9.19.2013

Filme | O Substituto


O filme começa com alguns professores contando como escolheram essa profissão, se a vontade veio espontaneamente ou se a oportunidade simplesmente surgiu. É assim que conhecemos Henry Barthes (Adrien Brody), um professor substituto, que diz que sabe como é ser jovem e precisar de alguém que ajude a entender o mundo; ele passa a sua visão de ser professor e a importância dessa profissão na concepção dele.
Dirigido por Tony Kaye, O Substituto, ou, em algumas versões brasileiras, Desapego, apresenta logo no sexto minuto do filme os problemas que um colégio enfrenta: a diretora ameaçada de ser demitida, professores sem ação diante de alunos enérgicos e bagunceiros; logo que conhece a diretora, esta lhe avisa que os alunos para os quais dará aula estão abaixo do esperado.
Barthes, entretanto, quando entra em sala pela primeira vez, não se deixa abater pelo gênio dos alunos e conversa com eles (particularmente, até), dizendo claramente que ele é uma das poucas pessoas que tenta dar oportunidade a eles.
A história do filme é, em vários momentos, cortada para o início, quando Henry explana sobre o que é ser professor. Ele explica que ser substituto é não ter responsabilidade de dar matérias, mas garantir que os alunos permaneçam na escola naquele período em que o professor eletivo não está. Ainda assim, ele se esforça para passar algumas ideias importantes para eles, como na cena em que pergunta aos alunos o conceito de Doublethink, presente no livro 1984, de George Orwell. Após uma aluna explicar que se trata de "duas crenças opostas, ao mesmo tempo, acreditando que ambas são verdadeiras", ele discursa sobre alguns exemplos desse conceito no nosso dia-a-dia, e o argumento mais forte que ele apresenta é o de os garotos aprenderem desde crianças que mulheres são feitas para serem usadas, objetivadas, apresentando o quão desumano isso é.
A história vai se desenrolando a partir disso, dividida entre a vida profissional e pessoal de Barthes e como as duas se interligam. Já no primeiro dia, ele conhece Meredith (Betty Kaye), sua aluna, que sofre repressão dos colegas e do pai, e que, mesmo sem receber abertura do professor, enxerga nele alguém em quem confiar e conseguir proteção, "quando fala comigo, olha para mim, é como se realmente me visse" ela diz; ele responde que a enxerga e a partir do pequeno diálogo travado as fronteiras aluno/professor se tornam mais frágeis. Uma professora, Sarah Madison (Christina Hendricks), com quem Henry saiu algumas vezes, assiste de relance uma conversa entre os dois e julga que ele esteja abusando da sua autoridade de professor sobre a aluna. Nessa mesma época, ele conhece uma garota de progama (Sami Gayle), apenas uma adolescente, sem casa e sem dinheiro e a acolhe. Complicando ainda mais sua vida pessoal, seu avô se encontra em um hospital para idosos, com crises de amnésia e o professor é frequentemente chamado para acalmá-lo.
O filme apresenta as dificuldades enfrentadas pelo corpo docente das escolas, tanto no trabalho em equipe (na direção do colégio), no trabalho individual (dentro de sala de aula), na vida pessoal (problemas na família são recorrentes na história) e a forma que cada um lida com o dia-a-dia.
Muitas passagens são metafóricas, a maioria o personagem utiliza desse recurso para se caracterizar como substituto e o porquê de nunca criar laços com as pessoas de escola alguma. Afinal, sabendo de tantos altos e baixos dentro de um colégio, tanta confusão tanto interna quanto externa, alguém ainda tem coragem de se oferecer como algo a mais que um simples professor? 

"E nunca me senti tão profundo e ao mesmo tempo tão alheio de mim e tão presente no mundo."

Para discussão:

"Sabe, eu sei como é importante isto, ter direção e ter alguém para te ajudar a entender as complexidades do mundo no qual vivemos."

"A maioria dos professores aqui, em algum momento acreditaram que podiam fazer a diferença."

"Eles não tem um intervalo de atenção. Estão entediados. Então, como supõe conduzi-los à literatura clássica se eles não acreditam que você tem algo significante para compartilhar?"

"Alguns idosos dormem muito antes de morrer. Isso não é uma besteira?"

"Deveria ter um pré-requisito, um currículo para ser pais, antes que as pessoas tentassem ser."

"- Qual o problema dele?
- Escolheu uma carreira que não o escolheu." 

"A vida é um trabalho penoso."

"Por que desperdiça sua vida? Sabe que pode esquivar-se."

"Todos temos problemas, assuntos que temos que lidar. E todos nós levamos eles pra casa com a gente a noite, e levamos de volta ao trabalho pela manhã. Acho que tal desamparo, é realização, mau pressentimento de ser um barco a deriva, sem boia, sem segurança, quando pensava que era o cara arremessando a boia."

"É fácil, muito fácil não ligar. Mas é preciso coragem e caráter para se importar."

"A pior coisa nesse trabalho é que ninguém agradece."

"Somos todos iguais. Todos sentimos dor. Todos temos desordens na nossa vida. A vida é muito, muito confusa." 

"Todos precisamos de algo para nos distrair da complexidade e da realidade. Mais ou menos como pensar de onde veio. Ninguém quer pensar na luta que é para tornar-se alguém que fuja do mar de medo e dor que todos temos que fugir."

"Fracasso. Todos nós fracassamos. Fracassado num sentido que decepcionamos todos. Incluindo nós mesmos."

"Temos a responsabilidade de guiar nossos jovens para que eles não terminem se desintegrando. Caindo no esquecimento. Tornando-se insignificante."




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