10.09.2013

Filme | Não por acaso



O filme brasileiro que eu assisti semana passada foi o Não por acaso, dirigido por Philippe Barcinski.

O filme acompanha a vida de dois personagens, Ênio (Leonardo Medeiros) e Pedro (Rodrigo Santoro). Um não interage diretamente com o outro durante todo o longa, mas suas vidas são conectadas a partir de um acidente em que o carro da ex-mulher de Ênio, Mônica (Graziella Moretto), atropela a namorada de Pedro, Tereza (Branca Messina), provocando a morte de ambas.
A partir desse acontecimento, a vida dos dois, que corria tranquila e da forma esperada, vira de cabeça pra baixo: Ênio, um engenheiro do trânsito, que percebe claramente quando as ruas vão ficar engarrafadas, não consegue prever que sua filha Bia (Rita Batata), de 16 anos apareceria na sua vida.
Ênio e Bia

Pedro
Pedro, um jogador de sinuca, que possui total controle do caminho que as bolas farão, não consegue controlar o turbilhão de emoções e acontecimentos que o invadem.

O filme é em sua totalidade uma divisão entre a corrente existencialista e a determinista: Ênio sabe que no trânsito tudo segue seu curso tranquilamente, até que por exemplo, algum caminhão quebra, gerando congestionamento durante horas e tirando de suas mãos o controle da cidade, em um exemplo de determinismo. Pedro sabe que pode dar à bola branca o caminho que ele quiser, de acordo com o ângulo que ele a lançar. Assim, controla totalmente o jogo, sem possibilidades de outro destino, sendo assim, existencialista. Pedro, entretanto, percebe rapidamente que nem tudo está em suas mãos: quando fica sabendo que Tereza morreu, fica repassando diversas vezes o momento que ela sai de casa, diversos pequenos acontecimentos que retardariam ou adiantariam a sua saída, mas que terminaria de qualquer modo com a sua morte, trazendo aí, mais uma vez, a temática determinista.
Pedro e Tereza

Pedro e Lúcia
Outra coisa que o filme trouxe de forma bem clara pra mim, foi mostrar a forma como nossa vida está entrelaçada com a vida de pessoas que a gente não conhece. Mônica era ligada à Ênio e à Bia, mas não conhecia Tereza, que era ligada à Pedro, que não conhecia Lúcia (Letícia Sabatella), inquilina da moça.
Quando, porém, Mônica atropela Tereza, uma pessoa completamente desconhecida, faz com que Pedro conheça Lúcia e que Ênio passe a conviver com sua própria filha, a Bia.

Não por acaso é um filme parado, cheio de conclusões possíveis quando se abre para o pensamento do expectador. Um ótimo filme brasileiro, pouco divulgado e que vale cada segundo. Sem dúvida meu preconceito com filmes brasileiros caiu consideravelmente quando o assisti.



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