1.14.2014

Filme | Medianeras



Medianeras é definitivamente um filme especial. Dirigido por Gustavo Taretto e a atuação por conta de Javier Drolas como Martín e Pilar López de Ayala como Mariana, a trama aproxima a cidade e as personagens: ambos refletem sobre a arquitetura da cidade e em falas inteligentes, conectam esse “bem” material à sua vida pessoal e à das outras pessoas, demonstrando como somos iguais, mas com diferenças impostas – como os edifícios.



Martín produz sites há dez anos e sofre de depressão: há dois anos não saía de casa a não ser para o necessário. Mariana é arquiteta há dois anos mas ela e a profissão não funcionaram juntas, então passou a viver montando vitrines.


























Os dois moram na mesma rua, mas não se conhecem. Entram e saem para resolver a vida que sobrou do lado de fora de seus respectivos apartamentos, se cruzam pelas esquinas mas nunca se notam. Deixam por conta da internet o papel de "apresentadora" de pessoas.
























Filme leve e superficial, que permite o pensamento em meio à era digital e o aprofundamento por conta de nós mesmos.
Clique na imagem, aumente-a e veja a riqueza de detalhes desse cartaz

Ah! ficou curioso quanto ao que são medianeras? Medianeras é como são chamadas aquelas paredes de edifícios que não possuem janelas e que para não "desperdiçar" espaço, possuem propagandas. Veja duas ironias colocadas no filme:



Por fim, adoro esse filme porque a atmosfera apresentada de Buenos Aires, faz eu me sentir em casa, eu me identifico muito, como se aquilo fosse São Paulo. Porque pode ser qualquer lugar. E a solidão em que os personagens se instalaram, é a solidão que todo mundo vivencia, ao menos um dia na vida. E é exatamente isso que o filme passa pra mim: solidão parou de ser sentida para ser vivida. E é contra isso que a gente tem que começar a lutar.

Para reflexão e observação:

"- Esses prédios, que se sucedem sem lógica, demonstram total falta de planejamento. Exatamente assim é a nossa vida, que construímos sem saber como queremos que fique."

"- O que esperar de uma cidade que dá as costas ao seu rio?"

"- É certeza que as separações e os divórcios, a violência familiar, o excesso de canais a cabo, a falta de comunicação, a falta de desejo, a apatia, a depressão, os suicídios, as neuroses, os ataques de pânico, a obesidade, a tensão muscular, a insegurança, a hipocondria, o estresse e o sedentarismo, são culpa dos arquitetos e incorporadores."

"É a origem da minha fobia de multidões e criou em mim uma angústia existencial bem particular. Ele representa de um jeito dramático a angústia de saber que sou alguém perdido entre milhões." (sobre Onde está o Wally).

"- Então me pergunto: se, mesmo sabendo quem eu procuro, não consigo achar, como vou achar quem eu procuro se nem sei quem é?" (ainda sobre Onde está o Wally).

"- Como é possível ser próximo de alguém tão diferente?"

"- Que gênios esconderam o rio com prédios e o céu com cabos? Tantos quilômetros de cabos servem para nos unir ou para nos manter afastados, cada um em seu lugar?"
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Criado por: Elane Medeiros - Isaú Vargas.
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